Um tributo a 2009

Nota: Esse texto só foi possível devido a morte do meu pen-drive. O que me fez vasculhar velhos backups, achando gravações tão antigas quanto a data da última atualização do meu Windows.

Descanse em paz no céu tecnológico, junto de todos as fitas magnéticas, cd’s e futuros dvd’s, meu amigo.

 

2009 foi um ano e tanto. Parando para pensar agora, eu não fazia ideia das mudanças que estavam ocorrendo à minha volta. Talvez esse tenha sido o motivo da passagem tão súbita dos meses, aliados à minha, não diagnosticada, DDA. Foi o ano em que me formei no colégio que estudei por 11 anos, foi o ano em que me apaixonei mais perdidamente pelas palavras, nas poucas aulas de literatura que tive, foi o ano que tentei ler Deuses Americanos pela primeira vez, e, acima de tudo, foi o ano em que conheci, verdadeiramente, as músicas do Bob Dylan. Resumindo, foi um bom ano.

Era também a época que eu me esforçava com minha guitarra branca. Só que eu já sabia que ela era só uma amante, eu me casaria mesmo era com o papel em branco. Por ambos serem da mesma cor, por um longo tempo, eu imaginei que a musa certa era a guitarra, quando na verdade num sonho descobri que era o papel.

Foi em 2009 que me diverti muito com a errada, devo concordar. Eu era dela, e criava só pra ela. Acumulando histórias para quem pudesse desmenti-las, músicas para quem pudesse ouvi-las e dívidas para quem pudesse pagá-las. Foi um ano de boas descobertas. O ano também que começou uma fissura maluca pelo Bob Dylan, onde TODAS as gravações que datavam 09 tinham alguma parte de gaita no meio, e uma voz de adolescente rouca, numa falha tentativa para dentro.

Pra mim foi o amadurecimento. O começo das letras estranhas. Da confusão proposital em embaralhar uma gata(animal) com uma garota, ou falar do futuro remetendo ao passado, ou explicar o nada num tom sério, como se soubesse de alguma coisa… Só que eu não sabia de nada. Esse era o encanto. Do nada que podemos partir para o alguma coisa.

 

Um exemplo de gravação genérica terminada em 09:

peço perdão pelo vacilo de colocar essa gravação aqui.

 

Graças a 2009 sei que jamais olharei incerto para trás com meu relógio marcando sempre a hora “tarde demais”… Foi, realmente, um bom ano e agradeço a ele por ter sido uma sublime porta que me traria até aonde cheguei. Ou quase isso.

 


 

PS: This is not the best text in the world, this is just a tribute.